quinta-feira, 29 de abril de 2010

O tigre velho e o veado novo

       O tigre queria construir a sua casa. Encontrou um lugar esplêndido junto ao rio. E a mesma ideia teve um jovem veado.
       No dia seguinte, antes do sol nascer, o veado cortou as ervas, as árvores e foi-se embora. A seguir chegou o tigre e, ao ver tanto material de construção já reunido, exclamou: “Alguém que gosta de mim veio ajudar-me!” E pôs-se a construir os muros da casa.
       Na manhã seguinte, o veado voltou bem cedo. Viu o panorama e disse: “Que belos amigos que eu tenho: Ajudam-me e nem querem que eu agradeça!”. Fez o tecto da casa, dividiu-a em duas partes e instalou-se numa delas.
       Quando o tigre chegou e viu a casa terminada, julgou que era obra do amigo desconhecido e instalou-se na outra parte da casa.
No dia seguinte, ocorreu que os dois saíram ao mesmo tempo. Compreenderam então o que tinha acontecido. Mas o veado atreveu-se a dizer “Já que ambos construímos a casa, porque é que não vivemos os dois juntos e em paz?”.
O tigre aceitou: “Boa ideia. Assim ajudamo-nos também. Hoje irei eu procurar a comida. Amanhã vais tu...”. E foi para o bosque.
Regressou ao entardecer. Trazia um veado já crescidinho. Atirou-o para a frente do seu sócio e, com a voz muito seca, disse: “Toma, faz a comida”.
       O veado, a tremer de medo, preparou a comida, mas nem conseguiu provar. E muito menos conseguiu dormir durante toda a noite. Receava que o seu feroz companheiro sentisse fome e viesse buscá-lo.
       No dia seguinte tocava ao veado procurar a comida. Que havia de fazer? Encontrou um tigre a dormir. Era maior que o seu companheiro. Teve então uma ideia. Procurou o urso, e disse-lhe: “Ali está um tigre a dormir.
       Um dia destes, ouvi-lhe dizer que tu és um mole e que não tens força...”.
       O urso foi em silêncio até ao tigre, agarrou-o e estrangulou-o. O veado conseguiu arrastar o tigre morto para casa. Deitou-o junto do tigre seu sócio e disse-lhe com desprezo: “Toma, come: só consegui encontrar este fracote...”.
       O tigre não disse nada, mas ficou muito inquieto e desconfiado. Não comeu absolutamente nada. Nem pôde dormir toda a noite. Disse para consigo: se o veado matou um maior que eu, deve ter alguma arma secreta, não é tão fraco como parece... O veado também não dormiu, pois pensava: o tigre vai vingar-se enquanto eu durmo. Já de dia, ambos caíam de sono. A cabeça do veado bateu sem querer na parede que separava os quartos. O tigre, pensando que o seu companheiro o ia atacar, fugiu; mas, sem querer, fez barulho com as garras.
       O veado, convencido de que o tigre vinha atacá-lo, também fugiu. No caminho encontrou-se com o urso-formigueiro que lhe perguntou: “Porque vais a correr tanto?”. Explicou-lhe, quase sem respirar, mas continuou a correr.
       O urso pensou: são mesmo tolos. Fizeram uma óptima casa e não sabem desfrutá-la, baseiam-se mais nas diferenças que têm do que na ajuda que podem dar um ao outro. Vou procurar quem queira partilhá-la comigo. Ocuparemos a casa e seremos felizes.

In Educar através de Fábulas, retirado de Caminhos de Encontro, Manual de EMRC, 5.º Ano.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Ainda a vivência da Semana Santa

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       A festa maior do cristianismo é a Páscoa. Tudo o que conduza este mistério, palavra de Deus, oração, celebrações, tem a preocupação de nos ajudar a consciencializar o amor de Deus para connosco e a nossa possível adesão a Jesus Cristo.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Quem será?!

       Nasceu numa pequena aldeia de uma mulher do campo.
       Cresceu noutra aldeia, onde trabalhou como carpinteiro, até ter 30 anos. Depois, durante três anos foi um pregador ambulante.
       Nunca escreveu nenhum livro.
       Nunca teve um cargo público.
       Nunca teve casa nem constituiu família.
       Nunca frequentou a universidade.
       Nunca viajou para mais de trezentos quilómetros do seu lugar de nascimento.
       Nunca fez nada do que se associa como grandeza.
       Tinha apenas 37 anos quando a opinião pública se revoltou contra Ele.
       Os seus amigos abandonaram-no.
       Foi entregue aos inimigos que fizeram troça dele num simulacro de julgamento.
       Foi condenado e crucificado entre dois ladrões.
       Enquanto agonizava, os seus verdugos lançaram sortes sobre as suas vestes, a única riqueza que possuía.
       Quando morreu, foi enterrado num túmulo cedido por um amigo.
       Passaram vinte séculos, e hoje é a figura central do nosso mundo, o dirigente do progresso da humanidade.
       Nenhum dos exércitos que marcharam, nenhuma das armadas que navegaram, nenhum dos parlamentos que se reuniram, nenhum dos reis, nem todos eles juntos, mudaram tanto a vida do homem na terra como esta vida solitária.
autor desconhecido

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dois amigos: amizade e perdão!

       Diz uma lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto e em determinado ponto da viagem, discutiram e um deu uma bofetada no outro. O outro, ofendido, sem nada poder fazer, escreveu na areia:
       - Hoje, o meu melhor amigo deu-me uma bofetada no rosto.
       Seguiram adiante e chegaram a um oásis onde resolveram banhar-se. O que havia sido esbofeteado e magoado começou a afogar-se, sendo salvo pelo amigo.
       Ao recuperar, pegou num canivete e escreveu numa pedra: Hoje, o meu melhor amigo salvou minha vida. O outro amigo perguntou:
       - Por que é que, depois que te magoei, escreveste na areia e agora, escreveste na pedra? 
       Sorrindo, o outro amigo respondeu: 
       - Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever onde o vento do esquecimento e o perdão se encarreguem de apagar a lembrança. Por outro lado, quando nos acontece algo grandioso, devemos gravar isso na pedra da memória do coração onde vento nenhum poderá apagá-lo.
        Só é necessário um minuto para que simpatize com alguém, uma hora para gostar de alguém, um dia para querer bem a alguém, mas precisa de toda uma vida para que possa esquecê-lo.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A velha chinesa e o seu vaso defeituoso...

       Uma chinesa velha tinha dois grandes vasos, cada um suspenso na extremidade de uma vara que ela carregava nas costas.Um dos vasos era rachado e o outro era perfeito. Todos os dias ela ia ao rio buscar água, e ao fim da longa caminhada do rio até casa o vaso perfeito chegava sempre cheio de água, enquanto o rachado chegava meio vazio.
       Durante muito tempo a coisa foi andando assim, com a senhora chegando a casa somente com um vaso e meio de água.
       Naturalmente o vaso perfeito tinha muito orgulho do seu próprio resultado - e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito, de conseguir fazer só a metade daquilo que deveria fazer.
       Ao fim de dois anos, reflectindo sobre a sua própria amarga derrota de ser 'rachado', durante o caminho para o rio o vaso rachado disse à velha:
       - Tenho vergonha de mim mesmo, porque esta rachadura que tenho faz-me perder metade da água durante o caminho até à sua casa...
       A velhinha sorriu:
       - Reparaste que lindas flores há no teu lado do caminho, somente no teu lado do caminho? Eu sempre soube do teu defeito e portanto plantei sementes de flores na beira da estrada do teu lado. E todos os dias, enquanto voltávamos do rio, tu regava-las. Foi assim que durante dois anos pude apanhar belas flores para enfeitar a mesa e alegrar o meu jantar. Se tu não fosses como és, eu não teria tido aquelas maravilhas na minha casa!
       Cada um de nós tem o seu defeito próprio: mas é o defeito que cada um de nós tem, que faz com que nossa convivência seja interessante e gratificante.
       É preciso aceitar cada um pelo que é... e descobrir o que há de bom nele!
Autor desconhecido.

sábado, 17 de abril de 2010

Amar para ser feliz

Já percebeste que para seres feliz e andares alegre só tens um caminho: amar?
Já entendeste até ao mais íntimo de ti próprio que a felicidade está mais em dar do que em receber?
Já assumiste com Cristo que o «mandamento novo» é que liberta e faz feliz?

Ama e viverás.
Ama e serás feliz.
Ama e serás santo.

Entra nesse mistério de dar sem esperar recompensa,
de amar sem ser amado,
de saíres de ti na entrega total e generosa.
Faz, age, concretiza o amor.

Esquece-te de ti,
não te centres no teu eu,
no teu problema, na tua doença, na tua «tragédia em copo de água».

Abre-te aos outros.
Abre-te ao amor.
Sê homem ou mulher de coração aberto.

Sentirás cansaço, porventura repugnância,
sentirás medo,
sentirás às vezes quase revolta quando os outros
não sentem o teu dom,
não agradecem, não retribuem.
É aí que tu és cristão ou cristã a sério.
Não desanimes.
Só o amor é caminho de santidade, de felicidade.
E não desistas nunca de amar,
mesmo quando não sentes o fruto concreto desse amor.

Que a tua única resposta,
a tua «vingança» seja amar mais, amar melhor,
lançar-te ainda mais a um amor mais forte.

Dário Pedroso, s.j., em "Sinfonias do amor"

sexta-feira, 16 de abril de 2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A cobra e o pirilampo

Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo.

Ele fugia com medo da feroz predadora, mas a cobra não desistia.
Um dia, já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:
- Posso fazer três perguntas?
- Podes. Não costumo abrir esse precedente, mas já que te vou comer, podes perguntar.
- Pertenço à tua cadeia alimentar?
- Não.
- Fiz-te alguma coisa?
- Não.
- Então porque é que me queres comer?
- PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!!!

E é assim...
Diariamente, tropeçamos em cobras!

sábado, 3 de abril de 2010

Caixa (vazia)... de beijos

É uma história que já vimos, em formato de texto ou em formato de diapositivos. Agora encontramos-lhe a origem, no livro "Pegadas na Areia", escrito em 1993, editado este ano em Portugal:
Margaret, autora de "Pegadas na Areia" (poema e livro)
e Paul vivem casados há meia dúzia de anos.

Ela deixou o ensino para o seguir.
Vendem a empresa de que são proprietários.
Têm pouquíssimo dinheiro, e duas filhas.
Margaret ameaça deixar Paul.
Estão à beira da falência no que ao casamento diz respeito.

É o Natal de 1972. Batem no fundo.
Paul consegue à volta de 40 dólares,
das igrejas (baptistas) onde ia pregar.
Dá-os à esposa para comprar artigos de mercearia,
depois de ter posto gasolina no carro.

Margaret surge feliz por ter comprado algumas pechinchas.
Paul fica zangado, e ainda por cima a filha mais velha,
Tina, comprara um rolo de papel dourado para embrulhos.
Em casa embrulham alguns presentes para levar para a família.
Paul manda a filha buscar o papel dourado.
Como ela demorasse vai ao seu encontro.
Encontram a filha com três tesouras,
fita-cola e folhas do papel dourado.
Tina gastou todo o rolo a tentar embrulhar
uma espécie de caixa de sapatos.
Paul agarra Tina por um braço e dá-lhe fortes palmadas,
deixando-a a chorar e a gritar. Margaret fica em estado de choque.
Paul repete o que o alcoolismo do pai havia feito com ele durante a sua infância.

Na manhã seguinte, Paul tropeça
e quase cai em cima da caixa embrulhada pela filha.
Tina corre para a caixa, e entrega-ao ao pai como presente.
Dando-se conta que a caixa parece vazia,
Paul rasga rapidamente o papel e vê que a caixa está vazia.

Paul repreende a filha:
"Christina! Não sabes que deves pôr qualquer coisa
numa caixa antes de a embrulhares como presente?".

A pequena, com as lágrimas a correrem-lhe pelo rosto, responde:
"Mas, Papá, eu pus uma coisa lá dentro.
Soprei beijos para dentro dela! Está cheia de amor só para ti!".

Margaret Powers, Pegadas na Areia. Estrela Polar. Alfragide 2009.