sexta-feira, 4 de outubro de 2013

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

LEITURAS: Pedro Emanuel - Ardínia e D. Tedon

PEDRO EMANUEL - Ardínia e D. Tedon. Quartzo Editora e Município de Tabuaço. Viseu/Tabuaço 2013, 36 páginas.
       No passado dia 23 de setembro, como vem sendo hábito, foi o dia da Escola, dia do Prémio Abel Botelho que tem distinguido os melhores alunos no segundo e terceiro ciclos e em cada ano do secundário, conforme se poderá ver na notícia anterior. É também o dia em que o Município de Tabuaço brinda os alunos com publicações, valorizando a vertente cultural deste dia. Têm sido sobretudo livros do patrono da Escola, Abel Botelho.
       Este ano foram editados duas obras: "Dois Mundos", do escritor tabuacense Ricardo Nieves e "Ardínia e D. Tedon", do ilustrador Pedro Emanuel.
       É esta última - ainda só tivemos acesso a esta publicação - que ora sugerimos como leitura. Sendo em desenhos animados é de fácil manuseamento. Conta-nos a conhecida lenda de Ardínia e D. Tedon, passadas nas encontas de Tabuaço e na feira de Lamego. São Pedro das Águias. Graninha. Granja do Terro. Fradinho. Fraga da Moura. Mouros e cristãos. Reconquista cristã. Amores. E amores que não têm religião, mas sonho e ilusão. Luta. Guerra. Convicções e fanatismos. Romantismo e bravura. Vida e morte. E isto também é vida. Também é história e cultura. É chão que nos liga ao passado, nos faz viver na atualidade e nos convoca para o futuro.
       Gostei muito de rever esta estória. Fácil de ler ou de ver. As ilustrações são belíssimas.

Prémios Abel Botelho - distingue melhores alunos

       "Realizou-se no passado dia 23 de Setembro a 10ª edição dos prémios Abel Botelho. A cerimónia solene, que foi abrilhantada pela banda de música e teve lugar no pavilhão gimnodesportivo de Tabuaço premiou, mais uma vez, os alunos que no ano lectivo passado obtiveram as melhores médias finais. O presidente da Câmara, Dr. João Ribeiro, numas breves palavras dirigidas aos alunos, pais, encarregados de educação, professores e todos os convidados, salientou que o futuro do país passa pela educação e pelos jovens que se esforçam para serem os melhores. O autarca adiantou ainda que a Câmara vai propor a atribuição de bolsas para os alunos que queiram ir para a universidade e não tenham possibilidades, reforçando que a educação é um ponto crucial do seu mandato. A iniciativa contou ainda com o lançamento dos livros "Dois Mundos", do escritor tabuacense Ricardo Nieves e "Ardínia e D. Tedon", do ilustrador Pedro Emanuel. A cerimónia encerrou com um concerto da Orquestra Sinfónica do Porto no palco do recinto escolar.
       Depois do almoço de confraternização, na cantina da escola, o momento cultural foi de humor com a actuação de dois humoristas bem conhecidos de stand up comedy João Seabra e Miguel 7 Estacas, que animaram os mais pequenos.

Os alunos premiados foram:
2º Ciclo
- Mariana Gomes

3º Ciclo
- Jardel Santos Mendes

10º Ano
- Ana Rute Gomes

11º Ano
- Bruno Gomes Maia

12º Ano - Científicos
- Flávia Costa

12º Ano - Humanidades
- Micael Lamego Santos
       No mesmo dia, e associado à mesma figura, foi inaugurado, junto à Igreja Paroquial, o Centro de Estudos / Museu Abel Botelho, sendo mais um espaço - para fomentar a cultura, a investigação, a história - decidido e desejado pelo então Presidente da Câmara, Dr. José Carlos Pinto dos Santos, e levado a efeito e inaugurado pelo Executivo do Dr. João Ribeiro.
FONTE: página oficial da Câmara Municipal de Tabuaço: AQUI

sábado, 25 de maio de 2013

Orientar-se - o Cavalo-marinho...

       Era uma vez um Cavalo-marinho que juntou sete libras de ouro e foi à aventura pelo mundo fora.
       Pouco depois de partir encontrou uma Enguia que lhe perguntou:
       – Eh! Pá! Onde vais?
       – Vou cm busca de aventuras – respondeu orgulhosamente o Cavalo-marinho.
       – Tens sorte – disse a Enguia – dá-me quatro libras e eu dou-te uma barbatana, de modo que chegarás muito mais depressa.
       – Obrigadinho, é esplêndido – disse o Cavalo-marinho; pagou-lhe, montou na barbatana e desapareceu com o dobro da velocidade.
       Em breve encontrou uma Esponja que lhe disse:
       – Eh! Pá! Onde vais?
       – Em busca de aventuras – replicou o Cavalo-marinho.
       – Tens sorte – disse a Esponja – por pouco dinheiro dou-te esta mota a jacto e tu viajarás muito mais depressa.
       Assim o Cavalo-marinho comprou a mota com o restante dinheiro e atravessou os mares cinco vezes mais depressa.
       Em breve encontrou um Tubarão que lhe disse:
       – Eh! Pá! Onde vais?
       – Em busca de aventuras – replicou o Cavalo-marinho.
       – Tens sorte; se tomares este atalho – disse o Tubarão apontando a sua boca aberta – pouparás imenso tempo. – Obrigadinho – disse o Cavalo-marinho e enfiou rapidamente na boca do Tubarão sendo prontamente devorado.

       Quando não sabemos para onde queremos ir...
autor desconhecido

sábado, 27 de abril de 2013

EU CREIO

       No Ano da Fé, a criatividade tem vindo ao de cima, aqui um trabalho muito juvenil e luminoso do SDPJVR (Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil de Vila Real), sobre o Credo:

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Unidade letiva 4 - O Pão de cada dia - 6.º ano de EMRC

       Entrámos na Unidade letiva 4 - O Pão de cada dia. Dois trabalhos sugestivos para melhor refletir sobre o alimento e falta dele. O pão é expressão de toda a alimentação.



segunda-feira, 15 de abril de 2013

Fernão Capelo Gaivota - um fábula enternecedora

       Richard Bach, piloto da Força Aérea, é um escritor de renome, com vários livros publicados, entre os quais esta saga de Fernão Capelo Gaivota, sobre a liberdade de uma Gaivota (macho), que quer usar as asas para voar mais longe. Uma fábula inspiradora e que nos desafia a ultrapassar as barreiras do preconceito e das nossas limitações. Quantas vezes o ser humano desiste porque o ambiente que o rodeia é desfavorável, ou porque outros não acreditam nas suas qualidades? O texto interpela-nos a não nos afundarmos no pessimismo.
       Na Unidade Letiva 3 - A liberdade - da programa de EMRC para o 8.º ano de escolaridade, deixamos um pequeno vídeo, recolhido da Internet, onde se encontram vários sobre este mesmo tema e esta obra:


       Outras obras do autor: Ilusões; Um; Ponte para a Eternidade; Não há longe nem distância, ou Uma aventura do espírito. Nas suas obras está patente a sua profissão de piloto, sobrevindo o voo... para a liberdade, para a amizade, para a alegria, para o encontro com a vida.

sábado, 13 de abril de 2013

À volta do mundo, à procura da felicidade

        Era uma vez um jovem que buscava a felicidade. Não a encontrando em lugar nenhum, resolveu percorrer todo o mundo à sua procura.
       Onde chegava, reunia um grupo de jovens e dizia-lhes:
       - Quero comunicar-vos que ando à busca da felicidade. E tenho planos para a encontrar. Acredito que ela estará em regiões do mundo onde existia muito ouro. Nenhum de vós quer vir comigo?
       Mas ninguém o queria seguir. Por isso, no dia seguinte, partia novamente para outra terra.
       Assim foi peregrinando, de cidade em cidade, de país em país, de continente em continente. E isto durante muitos anos.
       Um dia, sentiu-se cansado de caminhar tanto. Também carregava já o peso dos anos. Mas, infelizmente, ainda não tinha encontrado a felcidade.
       Apesar dos seus cabelos brancos e dos seus passos por vezes vacilantes, tentou fazer um último esforço.
       Depois de muito andar, pareceu-lhe encontrar-se no seu país. Encontrou, inesperadamente, uma casa abandonada. Os vidros das janelas já estavam partidos; o lugar, onde outrora fora o jardim, estava cheio de mato. Contemplou essa casa abandonada e disse para si próprio:
       - Vou procurar ser feliz aqui. Irei consertar o telhado, pintar as paredes, colocar vidros nas janelas, fazer um bonito jardim.
       Em seguida, entrou dentro dessa casa. Ficou pasmado! Aquela era a sua própria casa, que ele tinha abandonado há anos, quando decidiu partir em busca da felicidade. Percebeu que nada lhe valera percorrer o mundo.
Questões para refletir:
  • É fácil ser feliz?
  • Deve-se procurar a felicidade dentro de nós?
  • O dinheiro traz felicidade?
  • Precisas os outros para seres feliz?
In Revista Juvenil, n.º 563, abril 2013

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Janelas douradas

       No manual de EMRC, do 6.º ano de escolaridade, "Nós e o Mundo", na temática sobre a família, é proposto o texto que se segue: "As janelas Douradas". Um menino que todos os dias olha para o horizonte e numa casa distante vê uma casa com janelas douradas e com diamantes. E um dia vai ao encontro dessa casa...
       O menino trabalhava arduamente durante todo o dia, no campo, no estábulo e no armazém, pois os pais eram pobres e não podiam pagar a um ajudante. Mas, quando o sol se punha, o pai deixava-lhe aquela hora só para ele. O menino subia ao alto de um morro e ficava a olhar para um outro morro, distante alguns quilómetros. Nesse morro, via uma casa com janelas de ouro e de diamantes. As janelas brilhavam e reluziam tanto que ele era obrigado a piscar os olhos. Mas, pouco depois, ao que parecia, as pessoas da casa fechavam as janelas por fora, e então a casa ficava igual a qualquer outra casa. O menino achava que faziam isso por ser hora de jantar; então voltava para casa, jantava e ia deitar-se. Um dia, o pai do menino chamou-o e disse-lhe:
       - Tens sido um bom menino e ganhaste um dia livre. Tira esse dia para ti; mas lembra-te: tenta usá-lo para aprenderes alguma coisa boa.
       O menino agradeceu ao pai e beijou a mãe. Em seguida partiu, tomando a direcção da casa das janelas douradas.
       Foi uma caminhada agradável. Os pés descalços deixavam marcas na poeira branca e, quando olhava para trás, parecia que as pegadas o seguiam, fazendo-lhe companhia. A sombra também caminhava ao seu lado, dançando e correndo, tal como ele. Era muito divertido.
       Passado um longo tempo, chegou ao morro verde e alto. Quando subiu ao topo, lá estava a casa. Mas parecia que haviam fechado as janelas, pois ele não viu nada de dourado. Aproximou-se e sentiu vontade de chorar, porque as janelas eram de vidro comum, iguais a qualquer outra, sem nada que fizesse lembrar o ouro.
       Uma mulher chegou à porta e olhou carinhosamente para o menino, perguntando o que ele queria.
       - Vi as janelas de ouro lá do nosso morro - disse ele - e vim de propósito para as ver de perto, mas elas são de vidro!
       A mulher meneou a cabeça e riu-se.
       - Nós somos fazendeiros pobres - disse - e não poderíamos ter janelas de ouro. E o vidro é muito melhor para se ver através dele!
       Convidou o menino a sentar-se no largo degrau de pedra e trouxe-lhe um copo de leite e uma fatia de bolo, dizendo-lhe que descansasse. Chamou então a filha, que era da idade do menino; dirigiu aos dois um aceno afectuoso de cabeça e voltou aos seus afazeres.
       A menina estava descalça como ele e usava um vestido de algodão castanho, mas os cabelos eram dourados como as janelas que ele tinha visto e os olhos eram azuis como o céu ao meio-dia. Passeou com ele pela fazenda e mostrou-lhe o seu bezerro preto com uma estrela branca na testa; ele falou do bezerro que tinha em casa, e que era castanho-avermelhado com as quatro patas brancas. Depois de terem comido juntos uma maçã, e se terem tornado amigos, ele fez-lhe perguntas sobre as janelas douradas. A menina confirmou, dizendo que sabia tudo sobre elas, mas que ele se tinha enganado na casa.
       - Vieste numa direcção completamente errada! - exclamou ela. - Vem comigo, vou-te mostrar a casa de janelas douradas, para ficares a saber onde fica.
       Foram para um outeiro que se erguia atrás da casa, e, no caminho, a menina contou que as janelas de ouro só podiam ser vistas a uma certa hora, perto do pôr-do-sol.
       - Eu sei, é isso mesmo! - confirmou o menino.
       No cimo do outeiro, a menina virou-se e apontou: lá longe, num morro distante, havia uma casa com janelas de ouro e de diamantes, exactamente como ele tinha visto. E quando olhou, o menino viu que era a sua própria casa!
       Apressou-se então a dizer à menina que precisava de se ir embora. Deu-lhe a sua melhor pedrinha, a branca com uma lista vermelha, que trazia há um ano no bolso. Ela deu-lhe três castanhas- da-índia: uma vermelha acetinada, outra pintada e outra branca como leite. Ele deu-lhe um beijo e prometeu voltar, mas não contou o que descobrira. Desceu o morro, enquanto a menina ficava a vê-lo afastar-se, na luz do sol poente.
       O caminho de volta era longo e já estava escuro quando chegou a casa dos pais. Mas o lampião e a lareira luziam através das janelas, tornando-as quase tão brilhantes como as vira do outeiro. Quando abriu a porta, a mãe veio beijá-lo e a irmãzinha correu a pendurar-se-lhe ao pescoço; sentado perto da lareira, o pai levantou os olhos e sorriu.
       - Tiveste um bom dia? - perguntou a mãe.
       - Sim! - o menino passara um dia óptimo.
       - E aprendeste alguma coisa? - perguntou o pai.
       - Sim! - disse o menino. - Aprendi que a nossa casa tem janelas de ouro e de diamantes.

William J. Bennett, O Livro das Virtudes II. O Compasso Moral. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1996.

terça-feira, 9 de abril de 2013

O Rei da selva e a sua equipa de futebol

       Na proposta de oração/reflexão do SDPJ de Lamego, em mais um encontro de preparação da Jornada Diocesana da Juventude que se vai realizar nos dias 17 e 18 de maio, no Santuário de Santa Maria do Sabroso, paróquia de Barcos, concelho de Tabuaço, a sugestão desta fábula:
       "Era uma vez um leão que era o Rei da selva. Era um rei justo que buscava sempre o bem do seu povo. Um dia, teve uma ideia brilhante: formar uma equipa de futebol para jogar com os países vizinhos. Foi rapidamente pela selva a fim de escolher os jogadores.
        Passou por um prado e viu uma girafa. Pensou que jogaria muito bem de cabeça e escolheu-a para a sua equipa. Depois viu um urso enorme que fazia muito bem de guarda-redes e também o escolheu. Viu uma gazela e um leopardo a correr velozmente como um foguete, pensou que seriam os melhores dianteiros para a equipa e escolheu-os. E assim foi escolhendo os seus jogadores conforme as qualidades que ia observando. Escolheu os macacos e o tigre para ocuparem o centro do campo. Um elefante e um rinoceronte para a defesa. Uma lebre para fazer os contra-ataques. No final, depois de muito procurar, conseguiu completar uma equipa de onze jogadores.
        O primeiro dia de treino foi um desastre. O leopardo queria comer a gazela. O urso queria agarrar os macacos. o elefante e o rinoceronte estavam sempre a lutar. A lebre fugia a toda a pressa do tigre. Aquilo não podia continuar assim.
        O Rei, que era o treinador, deu uma forte apitadela e mandou-os parar. Tinha reparado que não se conseguiam aceitar uns aos outros por serem todos diferentes.
        Por isso, antes de os ensinar a jogar futebol, ensinou-os a aceitarem-se como eram e a conviverem juntos em paz. Caso contrário, a equipa não funcionaria.
        Depois de muitos dias de treino apenas nisto e de muito esforço feito por cada um dos animais, chegaram a ser grandes amigos.
        Foi então que começaram a jogar futebol. E conta-se que aprenderam tão bem este desporto que chegaram a ser uma das melhores equipas da região.
        Toda a gente, ao ver os jogos, aplaudiam-nos muito. Quando lhes perguntavam por que jogavam tão bem, eles respondiam.
       - Porque somos bons amigos e cada qual dá à equipa o melhor de si."

terça-feira, 26 de março de 2013

Busco Tus huellas Señor Jesus


A nossa tradução/adaptação:
De Ti, nasce a luz; de Ti, toda a verdade
em Ti, posso encontrar a liberdade!

Busco Teus passos Senhor Jesus
Busco palavras de eternidade
Quero encontrar essa luz sem fim
Quero encontrar a verdade.

O meu desejo é viver em Ti
Quero fazer a Tua vontade
Que mais, Senhor, posso eu querer
Se és Tu, minha liberdade.

Diz-me, Senhor, que hei-de eu fazer
P’ra iluminar toda a escuridão
Diz-me, Senhor, como conseguir
Ser uma luz de verdade.

Estou convencido que sem Teu amor
Tudo se encerra na solidão
Somos escravos de uma ilusão,
Se connosco não estás.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Velho - Mafalda Veiga

Música/canção proposta para o 9.º ano, Unidade 1, sobre a dignidade humana. Aqui apresentada com imagens relacionadas com a letra...

sábado, 24 de novembro de 2012

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Roberto Carneiro - sobre a educação, a escola, professores, alunos,...

Esta é uma parte da entrevista proposta pela Família Cristã, na sua edição de setembro, com ROBERTO CARNEIRO, antigo Ministro da educação.

Família Cristã (F.C.) – Falou em melhorar a qualidade dos professores. Temos maus professores?

Roberto Carneiro (R.C.) – Temos de dar atenção à formação inicial dos professores nas pedagogias, nas didáticas e nas práticas de ensino. Os professores estão a formar-se de um prisma excessivamente teórico. Temos professores excelentes – mas, muitas vezes não temos é professores competentes para exercerem a sua profissão. Eu repensava toda a formação inicial. Fechava as escolas superiores de educação – temos demais, umas 50 entre públicas e privadas – e recriava uma meia dúzia de instituições renovadas de formação inicial de professores do ensino básico, investindo a sério nas práticas pedagógicas, nas didáticas específicas e nos métodos de ensino-aprendizagem.

FC – Como é que as escolas podem chegar a cada aluno?

R.C. – Com programas de discriminação positiva. A escola não pode ser igualitária, dando a todos o mesmo. Tem de dar mais a quem menos tem. Tem de ajudar os pais com programas de formação integrados, dar [aos alunos] condições de alimentação e de saúde, caso não as tenham. Os alunos não podem aprender se não têm bem-estar. Tem de se estar atento aos maus-tratos em casa e combater todos esses efeitos nefastos que fazem com que as crianças não aprendam. Porque as crianças estão programadas para aprender importa reconhecer que há fatores externos que condicionam as aprendizagens desde a aquisição primeira dos fundamentos da literacia. Quanto mais precocemente o risco for detetado, melhor. A criança portadora de risco tem de ser identificada no pré-escolar, quanto muito no primeiro ciclo – não aos 15 anos.

FC – Isso exige um outro treino, um olhar diferente para o aluno...

R.C. – Os alunos não são peças de uma máquina – são pessoas que merecem ser amadas e vistas com atenção. O professor que ama os seus alunos, como um pai ama os seus filhos, deteta, sinaliza e procura encontrar meios para que essas deficiências sejam colmatadas.A sala de aula não é um conjunto indiscriminado de 25 ou 30 alunos. São 25 ou 30 pessoas individuais e o professor tem de aprender a lidar com cada uma, de acordo com as suas motivações, os seus itinerários, os seus ritmos. Daí a necessidade de se formar os professores de novo. Essas 25 ou 30 pessoas não são uma massa informe à nossa frente. Quando eu era ministro vinham professores ter comigo dizer: «O ideal era ter turmas homogéneas de alunos progredindo por igual.» Eu respondia-lhes que esse era também o sonho de Hitler. O ideal é ter turmas mistas, completamente diferentes, uns alunos mais amarelos, outros mais brancos, outros ainda mais escurinhos, com identidades, culturas e memórias diferentes, por todos partilhadas. Por isso sempre contrapus pedagogias aditivas – que consideram a diferença um ativo – às pedagogias subtrativas que querem homogeneizar tudo à força e em detrimento das distintas histórias de vida de cada aluno.

FC – Num relatório recente da OCDE defende-se que é preciso aumentar as interações entre alunos e professores.

R.C. – O modelo educativo que vem do séc. XVIII é um modelo fabril da Revolução Industrial. Os alunos entram numa linha de montagem em série e os professores vão acrescentando valor. Das 8 às 9 dão Português, das 9 às 10 Matemática, e por aí fora. Presume-se que assim o aluno consegue sair mais sábio. Não é verdade. Esse modelo está centrado na produção e não no aluno. Um sistema centrado no aluno será completamente diferente. Cada um tem o seu itinerário próprio, a sua forma de aprender, a sua personalidade, a sua marca distintiva. A construção do conhecimento não toma os saberes como algo de objetivo que se mete dentro da cabeça de todos os alunos por igual. Tudo isto tem de ser revisto, pois, na perspetiva da transição de um modelo industrial para um modelo de serviço. No modelo de serviço, a escola vai ao encontro dos alunos e das suas necessidades. Não traz as pessoas à escola para se submeterem à ditadura da produção. A escola tem de criar condições para que a pessoa possa singrar ao seu ritmo, à sua maneira, de acordo com as suas ambições e sonhos. Lembro que os primeiros educadores profissionais, os sofistas, não se encontravam sentados em escolas à espera dos alunos. Bem ao invés, na antiga Grécia, os educadores saíam à rua em busca das crianças que eles educavam na virtude e na prática do bem.
FC – Quando falta cidadania, quando os portugueses participam muito pouco...

R.C. – Estou preocupado com isso. Há uma clivagem ética, cada um tenta resolver os problemas por si e para si. Esta clivagem ética de toda a Europa mina os seus fundamentos. Recordo-me de um episódio, passado há já alguns anos, quando um jornalista pergunta ao [ensaísta] Eduardo Lourenço qual seria a solução para a Europa. Ele respondeu simplesmente: «A fraternidade cristã.» Na fraternidade cristã somos todos irmãos em Jesus Cristo e filhos do mesmo Pai. Ninguém tem o direito de explorar e maltratar o outro. Esse sentido ético da fraternidade é eu sentir que preciso do outro para a minha felicidade, porque o outro não é senão a outra metade de mim. Sou incompleto se não me completar com o outro. Por conseguinte, uma questão central que temos de recolocar hoje, como há 2000 anos, é: Quem é o meu próximo? Como me posso sentir pobre dele? Que iniciativa devo tomar para dele me aproximar sem nada esperar em retorno?