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domingo, 12 de janeiro de 2014

A vela que não queria ser vela!

       Era uma vez uma vela vermelha e dourada que teimava em não se deixar acender. Uma atitude estranha, pois as velas foram feitas para estar acesas e para iluminar com a sua chama a cintilar na escuridão.
       Estava próximo o dia da grande festa familiar e todas as outras velas começavam a ficar felizes, só em pensar que iriam ser protagonistas com a sua luz que iam irradiar.
       A vela vermelha e dourada repetia obstinadamente:
       - Não quero ser queimada. Quando somos acesas queimamo-nos em pouco tempo. Quero permanecer assim como sou: elegante, bela e integral.
       Uma vela disse-lhe:
       - Se não te deixas acender, é como se estivesses morta. Tu foste feita para iluminar e é assim que serás feliz.
       A vela vermelha e dourada respondeu:
       - Não, obrigada. Admito que a escuridão e o frio são horríveis, mas é melhor sofrer por causa de uma chama que queima e faz doer.
       Uma outra vela disse-lhe:
       - Admite que é melhor a luz que a escuridão. Nós aceitamos ser consumidas, precisamente para sermos portadoras de luz. É assim que nos tornamos úteis.
       A vela vermelha e dourada insistia:
       - Mas assim perdemos a forma e a cor.
       - Sim, mas só assim podemos vencer a escuridão e iluminar o mundo.
       Foi então que a vela vermelha e dourada se deixou acender. A cera e o pavio consumiram-se lentamente. Brilhou na noite até desaparecer. Nos últimos instantes sentiu-se feliz porque tinha cumprido a sua missão. Ainda teve tempo de exclamar:
       - Fui feita para brilhar.

in Revista JUVENIL, n.º 569, janeiro 2014.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Tic-tac, sem fim à vista

       Era uma vez um relógio que precisava de conserto. Veio o relojoeiro.
       O relógio disse-lhe:
       - Por favor, senhor relojoeiro, não me conserte. Estou cansado de uma vida tão monótona. Imagine que tenho de estar dia e noite a repetir o mesmo movimento e a mesma música: tic-tac, tic-tac... Se me conserta, imagine os milhões de "tic-tac" que tenho de fazer. Uma monotonia insuportável!
       O relojoeiro disse-lhe:
       - Amigo relógio, é esse "tic-tac" que te mantém em vida e te faz útil aos outros, dando-lhes as horas, os minutos e os segundos. É como o bater do coração das pessoas! Por isso, aceita essa monotonia como fazendo parte do teu viver. Não queres viver?!
       Respondeu o relógio:
       - Sim, quero!
       O relojoeiro, como bom amigo, aconselhou-o:
       - Então faz do teu "tic-tac" uma bela música a alegrar os teus dias e a alegrar o mundo.

O nosso quotidiano, por vezes tão monótono, pode ser colorido com a música do amor.

in Revista Juvenil, Outurbo 2010, n.º 539.