quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A lama que atiramos cai-nos na roupa!!!

       Um dia o Zeca regressou da escola cheio de raiva. Antes que o pai lhe perguntasse alguma coisa, gritou irritado:
       - O Pedro não devia ter feito aquilo para comigo. Humilhou-me à vista de todos. Quero que ele sofra como eu. Quem me dera que ele parta uma perna...
       O pai escutou tudo calado enquanto caminhou para o fundo do jardim onde guardava um saco cheio de carvão. O Zeca viu o saco aberto e o pai a propor-lhe:
       - Filho, faz de conta que aquela camisa branca a secar no varal é o amigo que te ofendeu e cada pedaço de carvão é uma acusação que tens contra ele. Atira-lhe este carvão todo.
       O miúdo achou a brincadeira divertida e descarregou assim a sua fúria mas a camisa estava longe demais e poucos pedaços acertaram o alvo. No final sentiu-se cansado mas satisfeito por ter conseguido alguma coisa. O pai levou-o então até ao espelho do quarto onde pôde ver a sua figura toda suja de carvão. Só enxergava os dentes e os olhos. O pai concluiu ternamente:
       - Filho, viste que aquela camisa quase que nem se sujou mas, olha para ti. O mal que desejamos aos outros é aquilo que nos desfigura. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com as nossas acusações, a borra, os resíduos e a fuligem ficam sempre em nós mesmos.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Quando acaba a noite... e começa o dia!

       Um Sábio fez um dia aos seus alunos a seguinte pergunta:
       - Como é que se pode reconhecer o momento exato em que acaba a noite e começa o dia.
       Um deles respondeu:
       - Talvez quando já não se consegue distinguir um cão de uma ovelha.
       - Não.
       Um outro disse:
       - Quando se distingue um figueira de uma oliveira.
       - Também não.
       Seguiram-se outras respostas e o velho Sábio ia respondendo que não. Foi então que eles pediram:
       - Diga-nos então quando é que se pode reconhecer o momento exato em que acaba a noite e começa o dia.
       Ele respondeu:
       - É quando tu, ao olhares para o rosto de uma pessoa qualquer, reconheces nela um irmão ou uma irmã. Antes de chegares a esse ponto, é ainda noite no teu coração.

In revista Juvenil, n.º 552, fevereiro 2012.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A pressa da cerejeira jovem

       Na colina da aldeia havia algumas cerejeiras. A primavera ainda estava longe, mas os habitantes esperavam ansiosamente por verem desabrochar as delicadas flores brancas, coloridas de rosa.
       Junto de uma velha cerejeira havia uma outra ainda muito nova. Mas ela tinha uma imensa pressa de crescer, para mostrar a beleza das suas flores.
       A jovem cerejeira perguntava muitas vezes à mais velha:
       - Quando posso florir? Falta muito tempo?
       Ela respondia-lhe sempre:
       - Tens de ter paciência, cara amiga. Na natureza há leis a cumprir. Espera pela tua hora. Verás que, quando terminar o inverno, florirás. Serás bela como uma noiva. Depois virão as primeiras cerejas. Por agora, tens de ter paciência.
       A jovem cerejeira, embora lhe custasse muito esperar, suspirava:
       - Está bem!
       Um certo dia de fevereiro amanheceu com um sol radioso. Parecia mesmo um dia de primavera.
       A jovem cerejeira, ao princípio da tarde, perguntou:
       - Já posso florir?
       A velha cerejeira, indisposta, disse:
       - Uff! Vós, as grandes, sois sempre assim! Só sabeis dizer que é preciso ter paciência. Estou farta de vos ouvir! Está um maravilhoso e, a partir de agora, serei eu a mandar em mim.
       E foi assim que dos botões da jovem cerejeira despontavam belíssimas flores. As pessoas passavam por ali e ficavam maravilhadas ao contemplar essas flores brancas coloridas de rosa.
       A jovem cerejeira sentia-se feliz, contemplando-se a si própria e admirando a sua beleza. Era na paisagem a única cerejeira florida.
       Infelizmente, esses dias de sol primaveril duraram pouco tempo. Veio de novo o frio e o gelo, queimando todas as suas flores. Tinha querido ser adulta antes do tempo e estragou a vida.

In revista Juvenil, n.º 552, fevereiro 2012.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

São sementes... que se tornam árvores!

       Uma pinha madura desprendeu-se de um ramo e rolou pela encosta da montanha. Bateu contra um rochedo e foi parar a um terreno húmido.
       Muitas sementes saíram de dentro da pinha e caíram na terra. felizes, exclamaram:
       - Chegou a nossa hora!
       Começaram com entusiasmo a aninhar-se no terreno. Mas, quando chegou o momento de germinar, descobriram que, por serem tantas, sentiam-se incomodadas por estar tão juntas. Uma delas dizia:
       - Chega-te mais para lá.
       A outra, irritada:
       - Não. Afasta-te tu.
       Todas discutiam menos uma. Esta semente bela e robusta declarou solenemente:
       - Podeis continuar a discutir. Fazei como quiserdes. Mas asseguro-vos que, assim tão juntas, crescereis raquíticas. Não quero nada convosco. Sozinha, irei tornar-me numa árvore grande, nobre e imponente.
       Com a ajuda da chuva e do vento, a semente conseguiu afastar-se das suas companheiras e lançar as suas raízes.
       Passadas algumas estações do ano, graças à neve, à chuva, e ao sol, tornou-se num magnífico e jovem abeto. Dominava o vale, enquanto os seus companheiros se tinham tornaram num bosque. Ofereciam sombra e frescura repousante aos caminhantes e aos animais da montanha.
       Isto não significa que os problemas tenham terminado. Havia sempre algum abeto que dizia:
       - Não me toques. Estás a incomodar-me com os teus ramos.
       Outro dizia:
       - Roubas-me o sol. Chega-te para o lado.
       O abeto solitário olhava irónico e soberbo. Ele tinha todo o espaço e o sol que desejava.
       Uma noite, veio uma grande ventania. Seguiu-se uma violenta tempestade. Os abetos apertaram-se uns contra os outros, a tremer, mas a proteger-se e a amparar-se mutuamente.
       Quando a tempestade acalmou, os abetos estavam extenuados, mas salvos. Todos, menos um. Do soberbo abeto não restava senão uns restos do tronco. Tudo tinha desaparecido.

In. Revista Juvenil, n.º 551, janeiro 2012

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

6 curiosidades sobre o corpo humano

1 - As células do cérebro vivem mais tempo do que todas as outras células do corpo.

2. Quanto mais tu te concentras, menos piscas os olhos.

3. Os teus dentes são mais duros que os teus ossos.

4. Algumas pessoas podem ouvir os seus olhos a moverem-se.

5. É impossível fazer cócegas a ti próprio.

6. Podes comprar sobrancelhas e pestanas falsas feitas com cabelo real.
in Revista Juvenil, n.º 551, janeiro 2012

sábado, 14 de janeiro de 2012

A adolescência é...

  • A adolescência começa quando os meninos descobrem as meninas e as meninas descobrem que foram descobertas. (anónimo)
  • A adolescência é como uma casa em dia de mudança: uma balbúrdia temporária. J. E. Warren
  • Adolescência é o período no qual os jovens começam repentinamente a achar que utilizar o telemóvel é função deles. Anónimo
  • Dizer adolescente é dizer que se está a curar lentamente da infância. A. Bierce
  • Adolescência é a idade que se tem de novo fome, mesmo antes da mãe lavar os pratos. Anónimo
  • Explicar os factos da vida a um adolescente é como dar banho a um peixe. A. Glasow

Revista Juvenil, n.º 551, janeiro 2012

sábado, 17 de dezembro de 2011

Os jovens e a verdade

       "Os jovens apelidam de hipocrisia qualquer tradição que não aceita seguir a sua lógica interna de fraternidade, de amor aos pobres e de união mística com Deus.
       Rejeitam qualquer valor antigo, excessivamente organizado e que não constitua um manancial de vida; não aceitam uma moral imposta de cima, uma moral esmagadora e asfixiante; querem viver e encontrar liberdade.
       Estão fartos de ver crentes a recitar preces, a assistir a ofícios religiosos, a pregar moral, mas incoerentes com eles próprios, não dando à sua vida denominada «religiosa» as provas de autenticidade exigidas pelo Deus de Amor.
       Os jovens são abertos, disponíveis, acolhedores e tolerantes.
       Querem encontrar pela frente homens de convicção, que não se deixem levar por aquilo que os outros possam pensar ou dizer a seu respeito.
       Acima de tudo, querem o que é verdadeiro. Pretendem que as pessoas sejam elas próprias, sem medo. Não as julgam por um sistema de valores ou por categorias"

Jean Vanier, em "Novas Perspectivas do Amor". Postado a partir de Abrigo dos Sábios. Imagem: Desafios. EMRC 7.º Ano.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A mais bela flor do mundo

       Havia uma jovem muito bonita que tinha tudo: um marido maravilhoso, filhos perfeitos, um emprego que pagava muitíssimo bem, uma família unida. O estranho é que ela não conseguia conciliar tudo isso, o trabalho e os afazeres lhe ocupavam todo o tempo e a sua vida estava deficitária em algumas áreas. Se o trabalho consumia muito tempo, ela tirava dos filhos, se surgiam problemas, ela deixava de lado o marido...
       E assim, as pessoas que ela amava eram sempre deixadas para depois. Até que um dia, seu pai, um homem muito sábio, lhe deu um presente: uma flor muito cara e raríssima, da qual havia um exemplar apenas em todo o mundo.
       E disse a ela: "Filha, esta flor vai te ajudar muito mais do que você imagina! Você terá apenas que regá-la e podá-la de vez em quando, às vezes conversar um pouquinho com ela, e ela te dará em troca esse perfume maravilhoso e essas lindas flores."
       A jovem ficou emocionada, afinal a flor era de uma beleza sem igual. Mas o tempo foi passando, os problemas surgiam, o trabalho consumia todo o seu tempo, e a vida, que continuava confusa, não lhe permitia cuidar da flor.
       Ela chegava em casa, olhava a flor e as folhas ainda estavam lá, não mostravam nenhum sinal de fraqueza ou morte, apenas estavam lá, lindas, perfumadas. Então ela passava direto. Até que um dia, sem mais nem menos, a flor morreu.
       Ela chegou em casa e levou um susto! Estava completamente morta, suas raízes estavam ressecadas, suas flores caídas e suas folhas amarelas. A Jovem chorou muito e contou ao seu pai o que havia acontecido. Seu pai então respondeu: "Eu já imaginava que isso aconteceria, e eu não posso te dar outra flor, porque não existe outra igual a essa, ela era única assim como seus filhos, seu marido e sua família.
       Todos são bênçãos que o Senhor te deu você tem que aprender a regá-los, podá-los e dar atenção a elas, pois assim como a flor, os sentimentos também morrem. Você se acostumou a ver a flor lá, sempre florida, sempre perfumada e se esqueceu de cuidar dela. Cuide das pessoas que você ama!"
       E nós? Temos cuidado das bênçãos que Deus tem nos dado?

Patriciana Gomes, in 33catolico a serviço da Igreja.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Dar banho a um leproso...

Um jornalista, entrevistando Madre Teresa, disse:
- Nem por um milhão de dólares eu daria banho a um leproso.
Ao que a Madre Teresa respondeu:
- O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso.

In Alicerces. A Civilização do amor. EMRC. Ensino Secundário.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Provérbios de Amor...

  • O amor não envelhece, morre criança.
  • O amor é um passarinho que não aceita gaiola.
  • O amor é como a Lua, quando não cresce, mingua.
  • Onde manda o amor, não há outro senhor.
  • As ausências curtas, acirram o amor; as longas, fazem-no morrer,
  • O amor dos asnos entra aos coices e sai aos bocados.
  • Quando o amor nos visita, a amizade se despede.
  • O amor novo vai e vem, mas o velho se mantém.
  • O amor olha de tal maneira que o cobre parece ouro.
In Livres para Amar. Educação Moral e Religiosa Católica, 8.º Ano. Moscavide: 2009.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Parábolas sobre o Céu e o Inferno...

       Quando frequentava o sétimo ano de escolaridade, há uns anos largos, o Livro de EMRC, trazia uma pequena história/parábola sobre o céu e o inferno:
Dois burros presos um ao outro, com dois fardos de erva, de cada lado. Cada um puxava para o seu monte e a corda não dava para que os dois chegassem ao respectivo monte em simultâneo. Cada um procurava comer do monte de erva que tinha pela frente. Resultou infrutífero. Era o inferno. Numa situação posterior, os dois burros juntaram-se e comeram primeiro de um monte e depois do outro. É o Céu. A partilha leva-nos a lucrar a todos. O egoísmo prejudica-nos a todos.
Uma outra parábola, recolhida sobre esta temática, cuja origem desconhecemos:
Pessoas com um rico manjar pela frente, à base de arroz. Uma condição: para comerem tinham que usar os pauzinhos (comer como os chineses), com dois metros de cumprimento. Cada qual tentava comer o seu manjar, sem se preocupar com o outro, apenas com a preocupação de não deixar nada. Nenhum conseguia comer. Era o inferno. A outra situação mostrava o mesmo manjar delicioso, com as pessoas, alegres e sorridentes, a estenderem a comida à pessoa que tinham à sua frente. Era o Céu. Todos conseguiam comer, saborear, apreciar o outro a comer!!! Partilha e solidariedade.
       Por vezes pequenas gestos decidem a vida e podem alterar o mundo que nos envolve. A atitude é fundamental. Uns diante das imensas dificuldades que a vida lhes coloca, lutam, lutam até vencerem. Outros, com tantas oportunidades mas que não mexem uma palha. Deixam como está. Mas como a história é dinâmica, deixar como está é contribuir para tornar o mundo pior.
       Não cabe aos outros decidir. Cabe a cada um de nós. A felicidade bate-nos à porta, tantas vezes, de tantas maneiras diferentes, em ocasiões diversas. escolhamos ser felizes com os outros. Se ainda assim for difícil, deixemo-nos surpreender por Deus...

Outros textos sobre esta temática, neste nosso blogue.
Ao procurarmos uma imagem que ilustrasse este post, encontramos a segunda imagem também blogada e talvez mais fiel à parábola original, aqui!

sábado, 26 de novembro de 2011

A Princesa que morreu por amor

       "Mack e os filhos pararam nas cataratas Multnomah… Missy implorou ao pai para que ele conte a lenda da jovem índia, filha de um chefe da tribo Multanomah…
       A história falava de uma Princesa, única filha de um pai idoso. O chefe adorava a filha e escolheu com cuidado um marido para ela: um jovem guerreiro, da tribo Clatsop, que a amava. As duas tribos juntaram-se para celebrarem as bodas; porém, antes do início da festa, uma doença terrível começou a espalhar-se entre os homens, matando muitos deles.
       Os anciãos e os chefes reuniram-se para discutir o que poderiam fazer contra a doença devastadora que dizimava rapidamente os seus guerreiros. O feiticeiro mais velho contou que o seu pai, já bem idoso e pouco antes de morrer, previra uma doença terrível que mataria os seus homens, uma doença que só poderia ser vencida se a filha de um chefe, pura e inocente, oferecesse de boa vontade a vida pelo seu povo. Para realizar a profecia, ela deveria subir voluntariamente a um penhasco sobre o Grande Rio e saltar para a morte sobre as rochas mais abaixo.
       Uma dúzia de jovens, todas filhas dos vários chefes, foram levadas à presença do Conselho. Depois de demorados debates, os anciãos decidiram que não poderiam pedir um sacrifício tão grande, sobretudo porque não sabiam se a lenda era verdadeira.
       Mas a doença continuou a espalhar-se implacavelmente entre os homens, até que, finalmente, o jovem guerreiro, o futuro esposo, caiu doente. A princesa, que o amava muito, sentiu no fundo, do coração que algo precisava de ser feito e, depois de lhe dar um breve beijo na testa, afastou-se.
       Demorou toda a noite e todo o dia seguinte para chegar ao local indicado na lenda, um penhasco altíssimo acima do Grande Rio e das terras que se estendiam a perder de vista. Depois de rezar e de se entregar ao Grande Espírito, ela cumpriu a profecia sem hesitar, saltando para a morte nas rochas mais abaixo.
       Nas aldeias, na manhã seguinte, os doentes levantaram-se saudáveis e fortes. Houve grande júbilo e comemoração, até que o jovem guerreiro descobriu que a sua noiva tinha desaparecido. À medida que a percepção do q eu acontecera se espalhava rapidamente ente entre o povo, muito empreenderam a viagem até ao lugar onde sabiam que iriam encontrá-la. Enquanto se reuniam em silêncio à volta do corpo destroçado na base do penhasco, o seu pai, tomado pelo sofrimento, gritou ao Grande Espírito, pedindo que o sacrifício dela fosse lembrado para sempre. Nesse momento, do lugar onde ela saltara começou a jorrar água, transformando-se numa névoa fina que caía aos pés deles, formando lentamente um lago maravilhoso…

       A narrativa possuía todos os elementos de um verdadeiro conto de redenção, não muito diferente da história de Jesus, que ela conhecia tão bem. Falava de um pai que amava a filha única e de um sacrifício anunciado por um profeta. Por causa do amor, a jovem decidiu dar a sua vida para salvar o noivo as tribos da morte certa.
       … Quando chegou a vez de Missy rezar, ela quis conversar com o pai:
       - Papá, por que teve ela de morrer?
       - Querida, ela não teve de morrer. Ela escolheu morrer para salvar seu povo…

       As questões sucedem-se. O Grande Espírito é Deus? Deus quis que o Seu filho morresse? Se Deus quis que a Princesa morresse, se Deus quis que Jesus Cristo morresse, então Deus é mau?
       Jesus escolheu morrer, por amor à humanidade, assim como a Princesa da lenda... Mas os mistérios do homem e de Deus continuam a ser insondáveis, mas pelo menos conhecemos um rosto que nos mostra Deus: JESUS CRISTO.

In A Cabana, de Paul Young.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Águia ou galinha

       Uma metáfora da condição humana
       Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas. Embora a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros. Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:
       - Esse pássaro não é uma galinha. É uma águia.
       - De facto – disse o camponês. É águia. Mas eu criei como galinha. Ela não é mais uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão.
       - Não – retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.
       - Não, não – insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.
       Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse:
       - Já que você de facto é uma águia, já que você pertence ao céu e não a terra, então abra suas asas e voe! A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá em baixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas. O camponês comentou:
       - Eu lhe disse, ela tornou-se uma simples galinha!
       - Não – tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.
       No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no tecto da casa. Sussurrou-lhe:
       - Águia, já que você é uma águia, abra as suas asas e voe!
       Mas quando a águia viu lá em baixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas.
       O camponês sorriu e voltou à carga:
       - Eu não lhe disse, ela tornou-se galinha!
       - Não – respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.
       No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas. O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
       - Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!
       A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direcção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.
       Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergueu-se, soberana, sobre se mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez mais para o alto. Voou... voou... até se confundir com o azul do firmamento...
       E Aggrey terminou conclamando:
       - Irmãos e irmãs, meus compatriotas! Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus! Mas houve pessoas que nos fizeram pensar como galinhas. E muitos de nós ainda acham que somos efectivamente galinhas. Mas nós somos águias. Por isso, companheiros e companheiras, abramos as asas e voemos.
       Voemos como as águias. Jamais nos contentemos com os grãos que nos jogarem aos pés para ciscar.

Leonardo Boff, in Porque evangelizar é preciso.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A águia, a gralha e o pastor

       Uma Águia, saindo do seu ninho no alto de um penhasco, capturou uma ovelha e a levou presa às suas fortes garras. Uma Gralha, que testemunhara a tudo, tomada de inveja, decidiu que poderia fazer a mesma coisa.
       Ela então voou para alto e tomou impulso, e com grande velocidade, atirou-se sobre uma ovelha, com a intenção de também carregá-la presa às suas garras.
       Ocorre que estas acabaram por ficar embaraçadas no espesso manto de lã da Ovelha, e isso a impediu inclusive de soltar-se, embora o tentasse com todas as suas forças. O Pastor das ovelhas, vendo o que estava acontecendo, capturou-a. Feito isso, cortou suas penas, de modo que não pudesse mais voar. À noite levou-a para casa, e entregou-a como brinquedo para seus filhos.
       - Que pássaro engraçado é esse?, perguntou um deles.
       - Ele é uma Gralha meus filhos. Mas se você lhe perguntar, ele dirá que é uma Águia.
Autor: Esopo

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A importância do amor...

A inteligência sem amor torna-te perverso.  
A justiça sem amor faz-te implacável.
A diplomacia sem amor torna-te hipócrita.   
O êxito sem amor faz-te arrogante.   
A riqueza sem amor torna-te avarento.   
A docilidade sem amor faz-te servil.   
A beleza sem amor faz-te ridículo.   
A autoridade sem amor torna-te tirano.   
O trabalho sem amor faz-te escravo.   
A simplicidade sem amor deprecia-te.
A lei sem amor torna-te escravo.   
A política sem amor faz-te prepotente.
A fé sem amor torna-te fanático.   
A vida sem amor… não tem sentido.

Autor desconhecido, in Livres para Amar. Manual de EMRC do 8.º Ano.

domingo, 13 de novembro de 2011

Pedacinho de Deus - 6.º Ano

Se sentes dentro de ti
A vontade de amar
Em gestos que criam fontes
A audácia de sonhar
Mais longínquos horizontes
E o apelo a escalar
Cada vez mais altos montes
Cada vez mais altos montes
Então ...
(Refrão)
Tens em ti um pedacinho de Deus
Tens rumos certos no coração
Desperta o sonho, tens em ti os céus
Liberta a vida da palma da mão
Faz desses rumos os caminhos teus
De Jesus recebeste,recebeste, esta missão
Se sentes dentro de ti
Sempre a sede de gritar
O nome da liberdade
A coragem de falar
A palavra da verdade
E a servir, participar
Na construção da cidade
Na construção da cidade
Então ...
Se sentes dentro de ti
O silêncio inspirar
A paz ao teu coração
Chamando-te a enfrentar
A vida com decisão
E teimas acreditar
Na esperança de um mundo novo
Na esperança de um mundo novo
Então ...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A lição da CRIANÇA sobre o amor!

       Numa sala de aula, havia várias crianças.
       Quando uma delas perguntou à professora:
       - Professora, o que é o amor?
       A professora sentiu que a criança merecia uma resposta à altura da pergunta inteligente que fizera. Como já estava na hora do recreio, pediu para que cada aluno desse uma volta pelo pátio da escola e trouxesse o que mais despertasse nele o sentimento de amor.
       As crianças saíram apressadas e, ao voltarem, a professora disse:
       - Quero que cada um mostre o que trouxe consigo.
       A primeira criança disse:
       - Eu trouxe esta flor, não é linda?
       A segunda criança falou:
       - Eu trouxe esta borboleta. Veja o colorido de suas asas, vou colocá-la em minha coleção.
       A terceira criança completou:
       - Eu trouxe este filhote de passarinho. Ele havia caído do ninho junto com outro irmão. Não é uma gracinha?
       E assim as crianças foram se colocando.
       Terminada a exposição, a professora notou que havia uma criança que tinha ficado quieta o tempo todo. Ela estava vermelha de vergonha, pois nada havia trazido. A professora se dirigiu a ela e perguntou:
       - Meu bem, por que você nada trouxe?
       E a criança timidamente respondeu:
       - Desculpe, professora. Vi a flor e senti o seu perfume. Pensei em arrancá-la, mas preferi deixá-la para que seu perfume exalasse pôr mais tempo. Vi também a borboleta, leve, colorida. Ela parecia tão feliz que não tive coragem de aprisioná-la. Vi também o passarinho caído entre as folhas, mas, ao subir na árvore, notei o olhar triste de sua mãe e preferi devolvê-lo ao ninho. Portanto professora, trago comigo o perfume da flor, a sensação de liberdade da borboleta e a gratidão que senti nos olhos da mãe do passarinho. Como posso mostrar o que trouxe?
       A professora agradeceu a criança e lhe deu nota máxima, pois ela fora à única que percebera que só podemos trazer o amor no coração.

Autor desconhecido, in Nova Civilização.

sábado, 5 de novembro de 2011

Perto da fogueira - estória para refletir...

       Era uma vez um grupo de jovens. Estavam sentados numa floresta, a conversar.
       Quando a noite os cobriu com o seu negro manto, fazia frio. Juntaram alguma lenha e com ela acenderam uma fogueira.
       Estavam sentado e bem juntos, enquanto o fogo os aquecia e a claridade da chama iluminava os seus rostos.
       Um deles, a um certo momento, não quis conviver mais tempo com os seus companheiros. Pegou num tição ardente da fogueira e foi para um lugar distante dos outros.
       O seu tição, no princípio, brilhava e aquecia. Mas não foi preciso muito tempo para se apagar.
       O jovem foi submergido pela escuridão e pelo frio da noite. Pensou uns momentos, pegou no seu tição apagado e foi juntar-se aos companheiros. Estes acolheram-no fraternalmente.
       Meteu o tição apagado na fogueira comum e este voltou a acender-se. A claridade da chama iluminava de novo o seu rosto. Passou da tristeza à alegria.

in Revista Juvenil, n.º 549, novembro 2011.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Carla Muro: a vida que deu mais uma vida

       Depois de ter dado à luz um menino, a professora Carla Loureiro Muro, entrou em coma e viria a falecer, com 34 anos de idade. Entretanto, com muitos amigos, professores, colegas, das várias escolas onde trabalhou, familiares, a paróquia de Pegarinhos, Alijó, viu encher a sua Igreja Paroquial para rezar por ela. Como referido na celebração, uma vida por outra, deu ao mundo um vida e foi elevado ao Céu, donde velará pelos seus meninos.
       Que Deus a tenha em eterno descanso e que os seus familiares possam sentir a força da fé e da oração de tantos que se uniram nesta hora de dor e de tristeza.
       Nos últimos anos, a Escola EB 2,3/S Abel Botelho de Tabuaço fez parte da sua vida, numa dedicação reconhecida aos meninos e meninas do ensino especial, sempre com um sorriso generoso para todos, com muito profissionalismo e alegria.